Vitrificação de óvulos: quando congelar a fertilidade faz sentido

A possibilidade de preservar a fertilidade feminina é uma das conquistas mais importantes da medicina reprodutiva das últimas décadas. A vitrificação de óvulos — também chamada de congelamento de óvulos — permite que uma mulher adie a maternidade sem abrir mão da sua chance biológica de engravidar.

O que é a vitrificação de óvulos?

A vitrificação é uma técnica de congelamento ultrarrápido que transforma os óvulos em um estado vítreo (sem formação de cristais de gelo), preservando sua integridade celular. É diferente do congelamento lento, mais antigo e menos eficaz. As taxas de sobrevivência dos óvulos após descongelamento com vitrificação chegam a 90–95%.

Os óvulos vitrificados ficam armazenados em nitrogênio líquido (–196°C) por tempo indefinido — a fertilidade fica “pausada” naquele momento.

Quem deve considerar preservar óvulos?

A indicação é ampla e não se limita a situações de emergência. As principais são:

  • Mulheres saudáveis que não desejam engravidar no momento mas querem manter a opção — a chamada “preservação eletiva” ou “social freezing”
  • Antes de tratamento oncológico (quimioterapia ou radioterapia que possam comprometer os ovários)
  • Endometriose ou endometriomas ovarianos — a doença reduz a reserva ovariana progressivamente; vitrificar antes de cirurgias ou da progressão da doença é estratégico
  • Histórico familiar de menopausa precoce
  • Reserva ovariana em declínio detectada em check-up
  • Casais que preferem não criar embriões por convicção religiosa ou incerteza sobre o relacionamento

“A melhor idade para vitrificar óvulos é aquela que a mulher ainda tem boa reserva ovariana — geralmente antes dos 36 anos. Depois disso, os resultados seguem bons, mas a quantidade e qualidade diminuem progressivamente.”

Qual a idade ideal para vitrificar?

Em termos técnicos, quanto mais jovem, melhor — mais óvulos de melhor qualidade. Mas isso não significa que mulheres acima de 35 ou 37 anos não devam considerar. O que define a indicação é a reserva ovariana atual, medida pelo AMH (hormônio antimülleriano) e pela contagem de folículos antrais no ultrassom.

Uma mulher de 38 anos com boa reserva pode ter resultados excelentes. Uma de 32 com reserva baixa precisará de abordagem diferente. A avaliação individualizada é sempre o ponto de partida.

Como funciona o processo?

  1. Avaliação inicial: dosagem de AMH, contagem de folículos, ultrassom pélvico. Define a expectativa de resposta
  2. Estimulação ovariana: injeções de hormônios por 8–12 dias para recrutar múltiplos folículos
  3. Punção folicular: coleta dos óvulos sob sedação, por via vaginal, em 15–20 minutos
  4. Vitrificação: os óvulos maduros são identificados e imediatamente vitrificados no laboratório
  5. Armazenamento: mantidos em criobianco até o momento de uso

Quantos óvulos são necessários?

Para uma chance razoável de gravidez no futuro, estimamos de 10 a 15 óvulos maduros como referência — mas isso varia pela idade. Em alguns casos pode ser necessário mais de um ciclo de estimulação. Seu médico calculará a estimativa baseada na sua reserva ovariana.

Quando usar os óvulos congelados?

Quando a mulher decidir engravidar, os óvulos são descongelados, fecundados com espermatozoides (ICSI) e os embriões resultantes são cultivados e transferidos para o útero — seguindo o mesmo processo da FIV convencional a partir da transferência embrionária.

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